Considerados como um intermediário entre deuses e homens, os xamãs foram um dos personagens mais importantes do povo maia. Chegando a desempenhar um papel determinante como curandeiros, adivinhos e depositários da sabedoria ancestral; o que lhes permitiu ocupar, um lugar privilegiado dentro de sua organização social, constituindo a poderosa classe sacerdotal.

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Por estas e outras razoes, não qualquer um podia atuar como xamã, sendo considerada uma profissão hereditária que era transmitida de padres a filhos, por xamãs do mais alto nível ou “Ah men”. Quem entre outros conhecimentos lhes ensinava além de técnicas de coração e adivinhação, a escritura dos códigos, a organização de cerimonias religiosas, assim como os secretos da astronomia e a ocorrência das estações. Estes últimos dois aspectos de grande impacto na civilização maia, dada sua transcendência para o desarrolho da agricultura e a manutenção da vida.

Se bem, a sabedoria a obtinham de seus ancestrais, para obter poderes sobrenaturais como transformar-se em um animal e a capacidade para comunicar-se com os deuses e espíritos; os xamãs deviam passar por um ritual iniciativo no que se buscava separar o corpo e o espírito, sendo uma forma de logra-lo o trance extático. Um estado ao qual se acede, depois de ingerir plantas e fungos de efeito alucinógeno, embora também fosse possível lograr um efeito similar através da insônia, jejuns, meditações ou abstinência sexual entre outras.

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Não obstante, outra forma na que se podia alcançar esta separação de maneira involuntária, era por médio dos sonhos. Um método que haveria sido usado pelos maiores xamãs da historia maia, que conforme estelas encontradas haveriam sido os antigos governantes. Quem por médio deles fosse capaz de aprender a comunicar-se com os deuses e a desarrolhar suas artes adivinhadoras e curativas.

Dada à pletora de funções que desempenhavam, na sociedade maia havia diversos tipos de xamãs, como por exemplo: os “Ah kin”, que eram os encargados de levar a cabo todos os preparativos para fazer os sacrifícios; os “chilan”, muito conhecidos por ser os adivinhos e intérpretes da vontade dos deuses ou os “kas bac” especialistas no tratamento de luxações e fraturas ósseas. Não obstante, as mulheres também se destacavam, sendo as “x alanzab” encarregadas de assistir no parto e adivinhar quando se produziria o parto.

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Embora para os maias um xamã pudesse ter muitas funções, a principal delas era manter em perfeita harmonia o espírito e o corpo, de cada um dos habitantes de seu povo, convertendo-se assim no curandeiro por excelência. Uma labor que cumpria empregando diversos tratamentos, entre tantos deles os famosos encantamentos médicos para curar a loucura ou as queimaduras e no caso de enfermidades produzidas por um castigo divino como epidemias, se procedia com o autossacrifício ou a expiação comunal.

Apesar da destruição de grande parte dos saberes médicos, ao chegar os espanhóis, os nahuales como se lhes conhece originalmente aos xamãs maias, ainda hoje em dia continuam com seu trabalho de adivinhação e curandeiros, só que agora seu povo não está constituído unicamente pelos maias que ainda existem, mas que agora é todo o mundo.

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